"Eu sei que a minha missão como poeta é dar brilho ao sol em dia de chuva. Sentir a leveza da pluma sem tocá-la. Sentir o perfume das flores sem aspirá-las. E poder falar: sou poeta, não por
ilusão e sim por direito, sensibilidade, vocação." Jonas F. Ferreira

Terça-feira, Maio 23


Ah! Moleque se um dia eu te pego
Erva daninha, estrepe,
De ripa, marmelo te esfrego,
Moleque vem cá, Oh venha moleque.
Moleque vem cá, vem cá, seu moleque.
Não, não vou lá.
(Gonzaga Jr., Moleque)


MENINO

O menino cresceu
Criou novos sonhos, dores
Arrimou família
Dividiu amores
Todos furtados que nem fruta do pé
Porque tem gosto melhor
(O menino é moleque, não criança)

Nos dias de santo
O menino brinca
Dança de roda, bate lata
Ninguém tem mais ginga,
Tudo aprendido na rua
Porque lá se aprende melhor
(O moleque é letrado, não na escola)

Quando o menino subiu
Em cada nuvem um coreto com banda armada,
Fez-se jongo, merengue, samba
E choveu e sorriu e roncou trovoada
Tudo a esperar a madrugada
Porque se ama melhor
(O menino era Deus de alma lavada).

Alexandre Beanes

O MESMO MENINO NUMA OUTRA PASSAGEM
Tiro de Mizericórdia 2

O menino cresceu entre a ronda e a cana
Correndo nos becos que nem ratazana.
Entre a punga e o afano, entre a carta e a ficha
Subindo em pedreira que nem lagartixa.
Borel, juramento, urubu, catacumba,
Nas rodas de samba, no eró da macumba.
Matriz, querosene, salgueiro, turano,
Mangueira, são carlos, menino mandando,
Ídolo de poeira, marafo e farelo,
Um deus de bermuda e pé-de-chinelo,
Imperador dos morros, reizinho nagô,
O corpo fechado por babalaôs.

João Bosco

ALEXANDRE BEANES - 1:40 PM

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Sexta-feira, Maio 12



SABEDORIA DE IMPROVISO

improvisando sabedorias
fala como se soubesse antes
de todas as quinquilharias
que me tromba a mente
muito aquém do que se chama instantes
muito sangue do que se chama rente.

como se a vida coubesse numa mesa de sinuca
e arrastando a bola branca
para o centro do universo que a preta bola tranca
repete-se (com sabedoria) o que te arde:
(como se fora no seu coração)
antes nunca do que tarde.

uma brincadeira com essa moça aqui.

ALEXANDRE BEANES - 8:55 AM

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Segunda-feira, Maio 8



SILÊNCIO, POR FAVOR!

Toma-me!
Não existe por aí
Tanto quanto em mim.
O que carrego
Desequilibra-me a perna
E rouba-me versos
É pedra dura
Que teima diante d'água
E não cede.
Há de saber que o grito
É só melancolia
Ou dor
Sobre nuvens desenhadas
De palavras rubras
E densas.
Levantem conventos
Ergam noites
Destruam sagacidades,
Pois o que trago em mim
É bem maior
Que todos os outros
É o estampido mouco
De considerações
Da morte-Vida
Seguir...
É sombra ativa na orientação
Sem direção precisa
É mais adiante
Além-mundo do mundo
De cores
Resposta para tudo o
Que não se quer...
Sequer pergunta
Sou acima.
Taciturno d'alma implícita
Oculto.
Secreto.
Sou sem palavras.

(outubro 2005 - aquele #9 tema: silêncio)

ALEXANDRE BEANES - 10:05 PM

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Quarta-feira, Maio 3





Aquele Edição 16. Mundos Paralelos.

ALEXANDRE BEANES - 1:54 PM

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Segunda-feira, Maio 1



NASCENTE

quando nasce o sol
lá longe, em terras nipônicas
aqui manda no azul marinho a dona lua

é que brilhar tanto
exige carinho de poesia, conto e crônica
exige beijos que não espante a boca sua.

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