PRIMEIRO
(Para a Moça Linda)
E foi-se o tempo
de distâncias inertes
a aproximar realidades
queimantes
que se tocam
sem palavras
e desenham
ladrilhos e mosaicos azuis
(discretos)
nos assombros da paixão
voa-te a casa-caça-coração
descobre-se luz
no caminho dos meus passos
no floral da estrada
no cheiro da sua pele
a mesma luz que,
intensa,
promete devolver
pensamentos
em novembros prorrogados
por dezembros
e eternidades.
ALEXANDRE BEANES - 11:34 PM
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Quinta-feira, Outubro 20
Visto nuvens e
ventos
em uma noite
que me tenho
só...
disparo rajadas
de laços
de festas
de chuva
e umedeço
para dentro do dia...
Na madrugada
dependuro azares no jogo
e sortes no amor
para que me sobre
algo além de
saudade.
ALEXANDRE BEANES - 9:37 PM
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Domingo, Outubro 16
Encontro alí,
Na gaiola,
O que me desconforta
A perguntar sobre
Signos, ascendentes
E luas cheias.
De um lado a outro
Salta a rogar-me.
Abro-te
Minhas pequenas e
Sonhadoras asas
Arrombo gaiola
E cantos
Sou livre
Como o pássaro preso,
Como o ar
Que me carrega no
Vôo cego de nuvens brancas.
ALEXANDRE BEANES - 11:11 PM
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Sexta-feira, Outubro 14
CONTRA-SENSO
Ah! essa brisa que me traz
O inverno do corpo
-Tenho-me chão!
Onde pássaros gracejam no verão.
ALEXANDRE BEANES - 4:23 PM
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Terça-feira, Outubro 4
SEUS OLHOS ou QUANDO CHEGA O AMOR ou
TAMBORILANTES BORBOLETAS
Há abismos nos olhos
amados
que trazem desenhos de luz
para fora:
sombras,
pedras, montanhas,
penhascos prontos a receber o salto,
e flores,
muitas flores de jardins alheios
A fazer par com as
borboletas que
tamborilam no meu estômago.
(Para Marpessa, a minha grega preferida,
que descobriu faz muito tempo a inutilidade de chutar as borboletas)



