"Eu sei que a minha missão como poeta é dar brilho ao sol em dia de chuva. Sentir a leveza da pluma sem tocá-la. Sentir o perfume das flores sem aspirá-las. E poder falar: sou poeta, não por
ilusão e sim por direito, sensibilidade, vocação." Jonas F. Ferreira

Domingo, Julho 31



No espelho que me miro
Estranho, piro
Sou eu ou o que vejo?
É puro amor ou só desejo?

Na cabeça imagens do viver
Se de sim ou não
Talvez
Quem irá saber?

Sou santo de barro
Escravo do que sempre fui
Encaro o barato
Disparo sem rastro
(Amor esparrama ou flui?)

Ainda que chamo ou chama
Que seja forte e azul
Que seja vento
Que seja santo
Que seja um

ALEXANDRE BEANES - 12:17 PM

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Terça-feira, Julho 19



HAIKAIS NA VENTANIA ou
ME CHAMO VENTO

I
Não tema a força
Desde sempre fiz sonhos...
Me chamam vento.

II
Sou vento miúdo
Que sopra
Sorte ao furacão.

III
Só para aparecer
Para ser recado no vento
E saudade que molha na chuva.

IV
É no vento que encontro
Saudade, alento, encanto...
É vento... É tanto.

V
Na ventania danço melhor
Como papel sem letras...
No vento sou mais verso.

VI
Pois para ser grande
Há de ouvir pássaros sim
Ou cantar como canta o vento.

ALEXANDRE BEANES - 12:22 AM

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Terça-feira, Julho 12



MILAGRES

Carrega a palavra pelas ruas
E a mostra como sempre deveria ser.
Assim,
Onde escrevia-se sangue, dite-se mel
Onde calava o sopro, deleite-se música
Onde antes estampido, agora erga-se sol
Lua, estrelas e céus,
Tudo cheio de vida para onde, antes,
Dizia-se mortalha

Enfim, a palavra há de ser carinho,
Aventura desterrada de front distante
Onde não havia vencidos nem vencedores,
Apenas palavras a enfeitar
O templo de Deus,
A carregar pequenos desejos de amor,
Sorte, fortuna e fé

Palavras devem aprender e teimar
E ser verso multiplicado
Como milagre de peixe e pão.

ALEXANDRE BEANES - 9:43 AM

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Segunda-feira, Julho 4



HAIKAI DE FÉ ou POEMA A MULHER QUE VIRÁ II

Volto a esperar pela mulher
Que fará do próprio riso
O meu canto de fé.

ALEXANDRE BEANES - 7:29 AM

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Sexta-feira, Julho 1


Edição musical do Aquele de Quem Lhe Falei sob a minha batuta.
Lá desvendamos os caminhos das canções depois que elas passam a tocar só na nossa cabeça.
Passem por lá, a música já está tocando.



A minha canção é essa aqui:

MOLEQUE
(Gonzaga Jr)

No tiro, estilingue, bodoque,
O teco, o toque, o coque,
No quengo, na cuca, cabeça,
De qualquer caraça avessa,
Qualquer caratonha fechada,
Azeda de feia zangada,
Que mexa, chateie e me bula,
Pra ver quanto alto sapo pula
Pedra vai levar

Ah! Moleque se um dia eu te pego
Erva daninha, estrepe,
De ripa, marmelo te esfrego,
Moleque vem cá, Oh venha moleque.
Moleque vem cá, vem cá, seu moleque.
Não, não vou lá.

Vem me pegar que eu quero ver.
Ah! Venha e pegar que eu quero ver
De mão, de pé, pau cajado,
No tapa, na briga me acabo,
Revolvo, reviro, decido,
E mesmo no ganho ou perdido
Me amigo ao amigo inimigo
Me livro do mau e do perigo
De bicho pelado que trança
Idéias de uma vingança
Que é pra me cuidar.

Ah! Moleque...

Fruto gostoso, desejado,
Lua, vizinho, cuidado,
Cercadura, arame rela,
Rosto, rosa, luz, janela,
Siu, assovio, voz rouca,
Beijo estalado na boca
Depois a corrida abraçado,
No peito o gosto de um amor roubado
Que é só pra provar

Ah! Moleque...

No medo, não tremo, não corro,
Avanço, me lanço, estouro,
Valente, eito combato,
E ao mesmo tempo me trato
Covarde na sabedoria
Que ergue, cresce, se cria,
Só na hora boa e precisa
E corta o mal bem onde enraíza
Que é pra não voltar.

Ah! Moleque se um dia eu te pego
Erva daninha, estrepe,
De ripa, marmelo te esfrego,
Moleque vem cá, Oh venha moleque.
Moleque vem cá, vem cá, seu moleque.
Não, não vou lá,
Vem me pegar que eu quero ver.
Ah! Venha e pegar que eu quero ver.

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