...
Escuta o silêncio...
O mundo ainda é o mundo
Embora doa menos
E chore mais...
Era assim na terra sem sol.
Caminhavam por canções de céu
Virando semente de pó,
Como homens livres...
(Escuta o silêncio...
Iremos atraiçoá-lo)
Escuta o silêncio...
São minhas as palavras
Que não se escuta.
Escrevo sem medida de tempo:
Pedra, muro, rajada de balas
E só.
Era para ser adeus...
Apenas ficamos mudos, calados
Escutando o silêncio
De mais de mil sonhos...
Ombro a ombro
Sem raios de sol.
Era apenas ilusão.
Escrevo a palavra noite
E deixo na memória
O caminho onde encontro o mar.
Escutando o silêncio
[Apenas o silêncio]
(poema escrito e não postado no Blogautores, para uma edição q não foi ao ar, cuja proposta era escrever sobre uma notícia de jornal. A minha era a tregédia na escola russa. Aquela em que as crianças foram mortas sem motívos - se é que existe motivo para se tirar vidas).
ALEXANDRE BEANES - 10:37 PM
|
Quinta-feira, Novembro 25
DA SÉRIE HAIKAIS OU QUASE HAIKAI
I
4 PERNAS
O meu, o seu
Nosso desejo inteiro.
Na cama, no corpo, no travesseiro
Nada melhor que seu cheiro.
II
DEVAGAR E SEMPRE
Suave e constante
Da paixão o amor desliza
Ontem vento, agora brisa.
ALEXANDRE BEANES - 10:21 AM
|
Segunda-feira, Novembro 22
DA SÉRIE HAI-KAIS OU VAI COMEÇAR TUDO DE NOVO
I
DEPOIS
Um coração em silêncio invento.
Depois da chuva
Só resta o doce vento.
II
AMANHECIMENTO
Com o sono das flores
O luar amanhece
E doura suas cores
ALEXANDRE BEANES - 9:10 AM
|
Sexta-feira, Novembro 19
Se tem um troço que eu gosto é parceria, deve ser por causa da minha frustração na música - que é bem mais fácil rolar parceiros que em literatura.
Dessa vez é algo bem diferente do que estou acostumado, foi natural e bom. Poesia e prosa distribuída num texto único.
Obrigado pelas letras e paciência a Marpessa de Castro, parceira muito querida.
Era para ter um título, eu acho, mas já que não nos preocupamos com isso, dei o nome de uma música que não me deixava a cabeça sempre que lia as versões deste texto.
CONVERSA DE BOTAS BATIDAS
Ele
Tenho alma de fé
E mente sonhadora
Que sempre e tanto chora
Por ser doido na paixão
Por ser amor sem restrição
Sempre, aqui, agora...
...e essa urgência, o que afinal teria sido isso que pulsou, explodiu e me deixou em pedaços? Hoje percebo, não tem jeito, ela se foi com a mesma fúria com que chegou até aqui e deitou-se ao meu lado dissipando incertezas, fazendo com que o mundo girasse até que tonteamos e nos derrubamos em algo que não tem explicação.
Ela
Não me chame
Como a uma qualquer.
Preciso de cantos, preciso de versos.
Se não sou conquistada, me revolto.
Tal qual sereias
Levo barcos a pique
Se me chamas com doçura
Não é preciso que explique...
Ele
Do coração disparo a rosa
(Flor cativa predileta)
Sem ela te esqueço,
te chamo só em sonhos
Onde somos e nos amamos.
Não creio em barcos que se vão
Nem em musas que não flertam
Tenho nomes
Santos, vis,
Tenho marcas
Aparentes, discretas...
Alguns me chamam doidivanas,
Prefiro poeta.
Ela
Permaneci muda como uma rosa, enquanto o ouvia chamar-me com uma entonação que nunca havia notado em ninguém, aquela voz especial que eu, em minha ingênua loucura, quis acreditar ser apenas para mim. Sagradas palavras, ainda que profanas.
"Se corres é para mim
E mesmo quando fora de si,
continuas sendo inteira.
Pois em ti está tudo que há no fim...
Fim do canto, fim da lama,
Fim do sonho que te leva,
Fim de quem ama...
Que venham as águas
O sol e a calmaria,
Em ti durmo e retorno
Como quem traz alegria
O teu ser é também meu ser
Quando meu desejo sacia."
Ao me dar conta, era tarde. O ímpeto que me é natural atirou-me de costas a uma cama tão branca quanto quente, o ninho que busco em cada minuto dos meus dias, mãos rijas que me seguem feito serpentes... E a lassidão posterior, um cansaço e uma vontade boa de morrer. Assim as coisas se passaram, assim serão todas as vezes que ele me quiser.
Ele
Quando volta a minha cama
É sempre a melhor das tormentas...
Ardente o sangue rola
Pois ama como santa
E também como quem planos engendra,
Te amo mais e solto
Pois tens o amor que a minha alma esquenta.
Ela
Amanheci ferida de morte. Amar desse modo é para poucos. Enquanto fico com os sons do silêncio ao meu redor voejando como mariposas brancas, ouço as batidas do meu coração e enrodilho-me cruelmente na fria certeza de não poder atendê-lo.
ALEXANDRE BEANES - 8:09 AM
|
Terça-feira, Novembro 16
Tenho estado cheio de brancos
Imóveis buracos soltos,
Como móbiles sem toque ou vento
Como fumaça de cigarro torto.
O que mais dói em mim
É essa loucura branca de porta trancada
A paz silenciosa e fosca
A caminhar pela estrada
Assim...sem fome, sem fel sem nada.
Tenho estado cheio de medos
Andantes utopias moucas
Como palavras que me escapam a boca
Como beijo perdido e torpe
A manchar a gola da minha roupa...
Como novembros que teimam em chegar.
ALEXANDRE BEANES - 12:56 PM
|
Sexta-feira, Novembro 12
Me condeno ao silêncio.
Como uma voz que sussurra
E canta.
Na linguagem feroz da paixão
Descubro venenos e sonhos...
É com eles que sigo,
Ouvindo canções inventadas
Ausente de palavras.
ALEXANDRE BEANES - 7:57 AM
|
Terça-feira, Novembro 9
Foi por aí
Que descobri a graça
E a grande farsa de te perder.
Descobri como ser malandro,
Poeta, bandido de categoria reles
De fazer trapaça entre o povo e a plebe.
Quando sentires falta
Da cadência esperta,
Do seu beijo furtado na festa,
Da música que a minha música desperta
Nem olha para os lados
Vou estar longe,
Brilhando com o riso maroto,
Pelo riso incorporado sem pressa
Na maça que adorna o seu rosto.
ALEXANDRE BEANES - 6:10 AM
|
Sexta-feira, Novembro 5
E era assim
Caminho de desejo
E tesão,
Era língua, poros, nortes,
E muitas, muitas mãos.
(As minhas... as suas...
Multiplicação).
Centopéia cheia de dedos,
De medos...uis, ais...
De paixão.
E era tanto gozo,
Mil beijos de sim
Mil fugas de não.
Era tanto dizer calado,
Era amor, era fato, fado...
Nem precisava coração.
ALEXANDRE BEANES - 10:30 AM
|
Quarta-feira, Novembro 3
Esse aqui é antigo, mas bom de ser lembrado. Foi inspirado num poema da menina hindu:
amplexos-lunares lembrados ao alvorecer
ele tem um abraço tão forte,
mas tão forte,
que sempre me deixa mais apertada
que são jorge em lua minguante.
(Chris. O)
Sou como a noite.
Com o sol descanso,
Faço dormir estrelas
E namoro - de forma quente - a lua.
(São Jorge que feche os olhos).
(Beanes)
ALEXANDRE BEANES - 7:56 AM
|
Segunda-feira, Novembro 1
Meu mal é ser reto.
Bicho-Preguiça. Discreto...
Esforçado.
Caralho a quatro,
Porém, certo.
Cara doido sou. Confesso.
Sou mato, mar,
Colina acima de versos.
Não calo, disparo,
Converso.
Sombra de porta aberta.
Quando volta
Sempre mais e bela,
Porque menos maldito sou.
Bendigo, altivo, menino...Poeta.


